Campanha de recrutamento

«O mais pequeno colectivo<br> altera sempre alguma coisa»

Mil novos militantes: este é o objectivo da campanha de recrutamento da JCP que acaba no final de Maio. Até ao fecho da nossa edição, tinham sido recrutados 564 jovens. Teresa Chaveiro, da direcção da JCP, fala da importância política destes novos militantes e dos passos que se seguem à inscrição.
A mais recente campanha de recrutamento da JCP começou a 5 de Setembro de 2005, na segunda-feira depois da última Festa do Avante!, e pretende inscrever mil novos militantes até ao 8.º Congresso, que se realiza a 20 e 21 de Maio. Neste momento já foram recrutados 564 jovens. Destes, 309 estão organizados no ensino secundário (30 por cento), 149 na juventude trabalhadora (14 por cento), 77 no ensino superior (7 por cento) e 29 no ensino profissional (2 por cento).

- Que balanço faz a JCP dos recrutamentos conseguidos até agora?
- O balanço é positivo. Temos de aumentar a dinamização para alcançar os mil recrutamentos até ao Congresso, mas é positivo. Já ultrapassámos metade dos objectivos, mas há muito para fazer: falar com os amigos, recrutar... Como é normal, houve uma maior dinâmica no início do ano lectivo devido às campanhas das organizações do ensino secundário e superior. Com a luta do secundário têm-se inscrito mais pessoas. Agora estamos a editar documentos sobre o 8.º Congresso, que servirão também como ponto de partida para conversas.

- Como se conseguem tantos recrutamentos em tão pouco tempo?
- Consegue-se passando a mensagem da JCP e de reivindicações justas. Os jovens estão abertos a isto.

- Quais os sectores em que é mais fácil recrutar?
- No secundário e nos jovens trabalhadores. No secundário há mais gente e mais organização. Quanto à juventude trabalhadora, muitos ficam a trabalhar na sua terra, conhecem muita gente, falam com os amigos... Quem abandona permaturamente o secundário passa também para a juventude trabalhadora.

- Então, a maior parte dos novos militantes chega à JCP através de amigos ou conhecidos?
- Sim, apesar de haver quem se inscreva através do site da JCP, por carta ou preenchendo as fichas que vêm nos panfletos. São poucos, mas existem. Por exemplo, recentemente chegaram-nos por carta cinco inscrições de estudantes da mesma escola secundária.

- Depois da inscrição, quais são os passos seguintes?
- Conhecer o funcionamento da JCP, a sua prioridade de intervenção, as suas reivindicações, no fundo o seu projecto e o seu ideal. Em termos de organização, o próximo passo dos militantes é assumir tarefas: definir responsáveis pelas quotas, pelo boletim de escola ou de organização, contactar novas pessoas... Não pode haver camaradas em colectivos sem tarefas. Não podem ir só às reuniões, têm de ter uma tarefa e levá-la para a frente.

- Os novos inscritos já estão nessa fase?
- Sim. Já há novos colectivos a tratar do Torneio de Futsal do Agit, a pintar murais, a divulgar o congresso... Assim que se divide as tarefas, nota-se andamento.

- Como são as reacções dos novos militantes a este trabalho em colectivo?
- Para eles é uma coisa nova, nomeadamente a discussão e a intervenção. Aí percebem de facto a diferença entre a JCP e as outras juventudes partidárias. É tudo uma aprendizagem. Há aqueles amigos que já participavam nas reuniões e iniciativas da JCP e já conhecem o nosso funcionamento, mas só depois de se inscreverem e terem tarefas é que se envolvem mesmo no colectivo. Nota-se uma alegria e um orgulho por pertencerem à JCP e isso ajuda ao desenvolvimento do próprio colectivo.

- Estão a ser criados colectivos em locais onde não havia pelo menos há vários anos. O que é que isso demonstra?
- A JCP tem ciclos normais, altos e baixos. Não conseguimos chegar a todo o lado como gostaríamos, mas, quando conseguimos e colocamos os problemas concretos de uma localidade, os jovens identificam-se e acabam por se inscrever. Quanto mais alargarmos a intervenção, mais longe chegamos e mais gente trazemos.

- Qual a importância política deste alargamento?
- Primeiro de tudo, é a afirmação do 8.º Congresso da JCP e reflectir na resolução política – que está em discussão nas organizações – os problemas concretos dos jovens. Podemos alargar os nossos colectivos a onde não chegávamos e levar mais longe a mensagem da JCP. Quanto mais pessoas acreditarem naquilo que nós defendemos, mais se aumenta a solidariedade entre os jovens, a discussão dos problemas e a luta. Havendo colectivos, as pessoas das várias terras vão conhecendo as posições da JCP e desmistificando preconceitos. Além disso, as lutas concretas que são desenvolvidas contribuem para a melhoria das localidades. Por mais pequeno que um colectivo seja, altera sempre alguma coisa na realidade onde está inserido.

- Os jovens portugueses têm preconceitos em relação à JCP?
- Existe um grande desconhecimento do que é a JCP. Se calhar os manuais escolares não esclarecem muito sobre o que são de facto os comunistas e a sua história. Umas camaradas de Viana do Castelo contavam que na escola os colegas acusavam os comunistas de lhes quererem tirar as terras a seguir ao 25 de Abril... Com elas a explicar o que de facto se passou e o que é a JCP, naquela escola vão desaparecendo os preconceitos. Na Madeira, por exemplo, é muito difícil intervir mas os camaradas não desistem. Recentemente, organizou-se um abaixo-assinado por um skatepark com 800 assinaturas. Se calhar a maioria das pessoas que assinaram nunca tinha ouvido falar na JCP – ou tinha ouvido dizer mal – e assim passaram a contactar connosco. Fez-se dois recrutamentos e muitos jovens vão ao centro de trabalho de vez em quando ver o que andamos a fazer.


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